Inflação dos alimentos passará de 10% neste ano, quatro vezes acima do índice oficial

Analistas refizeram
as contas e preveem, agora, inflação dos alimentos acima de 10% neste ano,
resultado pelo menos quatro vezes superior às estimativas para o Índice de
Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que variam entre 2,3% e 2,5%.
Com isso, a população de mais baixa renda, que
destina quase 80% dos recursos disponíveis para a compra de alimentos, será a
mais prejudicada. Muitas famílias, inclusive, já estão retirando do carrinho de
supermercado uma série de itens básicos — a quantidade de arroz, feijão e carne
diminuiu bastante.
Como
não veem mudança nesse quadro tão cedo, os analistas afirmam que o IPCA de 2021
voltará a se situar entre 3% e 4%, elevando o desafio do Banco Central de
manter a taxa básica de juros (Selic) em 2% ao ano, o menor nível da história.
Os mais pessimistas, acreditam que a Selic poderá subir já neste ano.
Tropa
de choque de Bolsonaro
A
disparada dos preços dos alimentos não atormenta apenas os consumidores. O
Palácio do Planalto já identificou que a comida mais cara está começando a
impactar a popularidade do presidente Jair Bolsonaro, que vem subindo
gradualmente, principalmente, entre os eleitores de renda mais baixa.
Não à
toa, o Planalto montou uma tropa de choque para monitorar a alta dos preços dos
alimentos e para acompanhar todas as medidas que vêm sendo tomadas pelos
ministérios da Economia e da Agricultura a fim de conter abusos e de evitar
desabastecimento.
Segundo
integrantes da equipe econômica, o momento exige um acompanhamento cuidadoso,
mas não há nada de muito preocupante no horizonte. Um dos técnicos garante que
o país está diante de um movimento passageiro, de reacomodação do mercado, já
que o consumo cresceu além do esperado.
“Com o
auxílio emergencial de R$ 600, que injetou bilhões na economia, era natural
supor que a demanda maior por alimentos pressionaria os preços. Mas vemos uma
pressão momentânea, um choque passageiro”, afirma o técnico da equipe
econômica.

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