Quase 90% da população do Norte e Nordeste tem o SUS como única opção, diz IBGE

Pesquisa
divulgada na sexta-feira (4) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE) aponta que sete em cada dez brasileiros dependem exclusivamente do
Sistema Único de Saúde (SUS) quando precisam de assistência médica. São
mais de 150 milhões de pessoas que não têm acesso a planos de saúde privados.
Os dados
são de 2019 e não incluem eventuais efeitos da crise econômica gerada pela
pandemia do novo coronavírus (Covid-19) na capacidade dos brasileiros a pagar
por saúde privada – apenas entre março e julho, 327 mil brasileiros ficaram sem
plano de saúde, de acordo com a Agência Nacional de Saúde (ANS). A
Pesquisa Nacional de Saúde do IBGE reforça ainda a existência de grandes
desigualdades no acesso a planos privados, que são mais comuns no Sul e no
Sudeste e entre pessoas brancas e com maior renda, e no uso da rede pública,
mais concentrado na população de baixa renda.
De acordo
com o 28,5% da população, ou 59,7 milhões de pessoas, possuíam algum tipo de
plano de saúde médico ou odontológico no país em 2019. Considerando apenas a
cobertura médica, são 26% da população, o que indica que 74% dependiam apenas
da saúde pública.
No Norte
e Nordeste, a proporção de pessoas sem planos de saúde médico chega perto de
90% -isto é, quase nove entre dez pessoas dependem do sistema público quando
estão doentes. No Maranhão, apenas 5% da população tem plano de saúde médico.
Em Roraima, são 7,4%.
Os
responsáveis pelo estudo dizem que os dados mostram que havia “uma
grande desigualdade” entre as grandes regiões e as unidades da federação.
No Sudeste, por exemplo, 34,9% dos habitantes são cobertos por plano de saúde
médico. Estado com maior cobertura, São Paulo tem 38,4%.
Média nacional
Na média
nacional, 26% das pessoas tinham algum plano de saúde médico. Entre os brancos,
o índice é duas vezes superior aos de pretos e pardos: 36,5% contra 18,4% e 17,6%,
respectivamente. Dos três grupos, diz o IBGE, apenas os pardos mostraram
evolução nesse indicador entre 2013 e 2019, com acréscimo de 1,4 ponto
percentual. O resultado reflete a desigualdade de renda entre brancos e
negros no país. Dados divulgados em maio pelo IBGE mostra que, em 2019, a
diferença de rendimento médio entre brancos e pretos atingiu o maior patamar
desde 2016: enquanto os primeiros viviam com R$ 2.999 por mês, os últimos
tiveram rendimento médio de R$ 1.673. (Fonte: Diário de Pernambuco)

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