Brasil é o terceiro pior país da América Latina em direitos políticos para as mulheres
Foram
mapeados 40 indicadores em oito itens relacionados ao tema no Brasil, na
Argentina, na Bolívia, na Colômbia, no Chile, na Guatemala, em Honduras, no
México, no Panamá, no Peru e no Uruguai. O Brasil só ficou na frente do Chile e
Panamá. O México lidera a pesquisa com o melhor indicativo, seguido da Bolívia.
Entre os
itens analisados estão a presença das mulheres em cargos do Poder Executivo e
na administração pública, participação em partidos políticos e o cumprimento de
cotas e paridade na política. Neste último item, o Brasil obteve a pior
avaliação entre os oito tópicos analisados.
A soma
dos itens resultou no IPP (Índice de Paridade Política). Ele varia de 0 a 100 e
atribui valores mais altos aos países mais bem avaliados. De acordo com o
estudo, embora a legislação de cotas para mulheres na política tenha sido
adotada desde 1995, ela é considerada frágil no Brasil.
O baixo
impacto é atribuído à falta de mecanismos institucionais que garantam sua
efetividade e incidência nas condições de competitividade das candidaturas
femininas. Na análise de Ana Carolina Querino, gerente de Programas da ONU
Mulheres Brasil, a inexistência de cotas para mulheres em cargos do Executivo
ajuda a puxar esse índice para baixo. “As medidas são insuficientes e garantem pouco
retorno”, afirma.
A
expectativa é que o avanço de candidaturas femininas deva ganhar impulso após o
TSE (Tribunal Superior Eleitoral) ter definido que pelo menos 30% dos recursos
do fundo eleitoral devem ser aplicados no financiamento de candidatas mulheres.
A partir
da eleição de 2018, o TSE determinou que a aplicação de ao menos 30% do fundo
público de financiamento de campanhas em candidaturas femininas é condição
obrigatória para a liberação dos recursos eleitorais. Apesar da cota de 30% de
candidaturas para cada sexo, a falta de sanção por descumprimento (zero
pontos), bem como a sua aplicação apenas para as Câmaras Municipais, e não para
prefeituras, no caso das eleições deste ano, tornam a medida ineficiente,
segundo o estudo.


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